Resumo:
O presente estudo teve como objetivo saber que concepções sobre o espaço social dos alunos estão expressas nos projetos extracurriculares elaborados pelas escolas públicas municipais de Santa Cruz do Sul, especificamente quanto ao que é dito nos projetos político pedagógicos e através dos depoimentos de gestores escolares e professores envolvidos. Justificou-se a realização deste estudo, na medida em que o conhecimento sobre a forma como os educadores percebem o espaço social, através do projeto político pedagógico e projetos extracurriculares oferecidos aos alunos e a comunidade, poderá servir de exemplo a outras instituições de ensino, possibilitando novos planejamentos no que diz respeito aos projetos desenvolvidos. Foi realizada uma entrevista informal com o secretário de Educação e Cultura onde foi caracterizada a realidade das escolas do município. Após, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os dirigentes e os professores responsáveis pelos projetos das 4 escolas escolhidas aleatoriamente. Foram escolhidos 2 projetos de cada escola para análise, sendo que os critérios utilizados foram aqueles que envolviam o número máximo de participantes, e os que estavam sendo desenvolvidos no ano de 2007 que teriam continuidade em 2008. Através dos projetos político pedagógicos e entrevistas realizadas, foi observado que a maioria das famílias é da classe social trabalhadora, vive em bairros pobres e possui renda baixa, grande parte sobrevive com programas sociais como o bolsa família, empregos temporários nas indústrias fumageiras (safristas) ou são autônomos (tais como os catadores), fazem faxina ou executam trabalhos informais (incluindo atividades ilícitas). A escolaridade é mínima, a maioria não completou o ensino fundamental. As famílias são grandes e humildes, muitos moram em casebres com condições precárias, as crianças vivem em grande parte, com mãe/padrasto ou pai/madrasta. Alguns são considerados carentes e provenientes de lares desfeitos devido ao desemprego, alcoolismo e uso de drogas. Não existe espaço para o lazer ou para desenvolver a cultura na comunidade. Em alguns bairros não tem posto de saúde ou EMEI, também viu-se que não há saneamento básico, as ruas não são calçadas nem canalizadas e não existe posto de polícia. O que existe em comum é que em todas as escolas foram mencionados fatores como violência, droga e álcool presentes no cotidiano da comunidade. Apesar disto, os alunos gostam ou estão acostumados com o bairro onde vivem. A escola é o referencial em todos os bairros, nela busca-se ajuda de todas as formas. Concluindo, foi verificado que parte dos gestores e professores até conhecem o espaço onde sua comunidade está inserida, mas ainda não é o suficiente para direcionar melhor suas ações. Os projetos extracurriculares devem atender as necessidades dos alunos e da comunidade, conforme as peculiaridades do meio em que a escola está inserida. Mas, vimos que a escolha dos projetos é realizada pela equipe diretiva ou conforme o incentivo da SMEC e das parcerias, sem o envolvimento da comunidade. É necessária a participação da comunidade e de todo grupo escolar nas decisões que tratam dos interesses da comunidade local, bem como na elaboração de projetos e execução dos mesmos.